Ela dançava e fazia isso com perfeição. Dava corpo e alma a isso.
Descobrira a dança por meio dos livros. Enquanto escrevia e lia, imaginava como seria voar como uma borboleta. Diziam-na que era essa a sensação.
E dançar era mais uma forma de se expressar. Todas as dores, mágoas, angústias, medos... E também felicidade, amor, amizade...
Mais poucos lhe elogiavam. Diziam-na que dançar era algo inútil, assim como a disseram há uns dias atrás quando ela estava escrevendo um de seus poemas sobre as lindas flores que havia visto, em um jardim, não muito longe dali.
Há uns anos atrás aquilo era só um sonho. Todos diziam que não daria certo. Na verdade, ela dizia isso para si mesma, mas, ao mesmo tempo, não tinha muito apoio. Ela não tinha amigos. Quer dizer, apenas a máquina de escrever, os livros e as flores, que por muito bastaram. Mas ela queria mais. Já tinha muitos amigos que não eram, hum, humanos.
E o corpo dela se tornou como música, como palavras. Mas, aprendera a dançar sozinha. Ninguém nunca a ajudou. Era mais uma bobagem. Os sentimentos dela, para os outros, era bobagem. Não importava se era um sorriso ou uma lágrima. Coisas de criança.
Mas ela amadureceu, mas seus sentimentos continuaram. Sua escrita estava melhor, sua dança estava melhor, seus desenhos estavam melhores. Mas, ainda assim não tinha amigos. Não importava o que ela era, mas sim a aparência. Ela estava abandonada nesse mundo de adultos cruéis.
Um vez, escrevera sobre eles. Ficava pensando pra que os adultos serviam. E chegou a uma conclusão: destruir sonhos. Mas, cansou de escrever sobre monstros. Dava muito trabalho escrever uma coisa que ela não era. Ao contrário, ela era os sonhos em pessoa.
Escrito por Taiane.